STENDHAL (1783-1842)

Nos momentos mais felizes e aparentemente mais tranquilos, "Ah, meu Deus! Vejo o inferno", exclamava de repente a sra. de Rênal, apertando a mão de Julien num movimento convulsivo. "Que suplício terrível! Eu bem o mereci." Ela o estreitava, agarrando-se a ele como a hera nos muros.

Julien em vão tentava acalmar aquela alma agitada. Ela tomava sua mão, cobrindo-a de beijos. Depois, recaindo num devaneio sombrio, dizia: "O inferno seria uma graça para mim; ainda teria na terra alguns dias para passar com ele, mas o inferno neste mundo, a morte dos meus filhos... No entanto, a esse preço meu crime talvez fosse perdoado... Ah, meu Deus, não me conceda a graça a este preço! As pobres crianças não O ofenderam; sou eu, sou eu a única culpada: amo um homem que não é meu marido."

O VERMELHO E O NEGRO

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