MIL E UMA NOITES

Passei em Damasco um dia e uma noite. Seu criador jurou que jamais poderia fazer obra igual.


A noite cobre Damasco amorosamente, com suas asas. E a manhã estende sobre ela a sombra das árvores frondosas.


O orvalho nos ramos das suas árvores não é orvalho, mas pérolas, pérolas nevando à mercê da brisa que as balança.


Em seus bosques, é a natureza que faz tudo: o pássaro faz a sua leitura matinal; a maré alta é a página branca aberta; a brisa responde e escreve mediante o ditado do pássaro, e as nuvens brancas fazem pingar suas gotas para a escrita.

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