FLAUBERT (1821-1880)

Mas a mãe Bovary bradou muito contra esse nome de pecadora. Quanto ao sr. Homais, tinha predileção por todos os que lembrassem um grande homem, um fato ilustre ou uma concepção generosa, e foi nesse sistema que tinha batizado os seus quatro filhos. Assim, Napoleão representava a glória e Franklin a liberdade, Irma talvez fosse uma concessão ao romantismo; mas Athalie, uma homenagem à mais imortal obra-prima do teatro francês. Pois as suas convicções filosóficas não impediam as suas admirações artísticas, o pensador nele não sufocava o homem sensível; sabia estabelecer diferenças, distinguir a parte da imaginação da do fanatismo. Dessa tragédia, por exemplo, ele criticava as ideias, mas admirava o estilo; amaldiçoava a concepção, mas aplaudia todos os detalhes, e se exasperava contra as personagens, entusiasmando-se com os seus discursos. Quando lia os grandes excertos, sentia-se transportado; mas quando pensava que os padrecos e sua corja tiravam vantagem disso para seu negócio, ficava desolado, e nessa confusão de sentimentos em que se emaranhava, gostaria de, a uma só vez, poder coroar Racine com as duas mãos e discutir com ele durante um bom quarto de hora.

MADAME BOVARY

Gustave Flaubert foi um escritor francês. Prosador importante, Flaubert marcou a literatura francesa pela profundidade de suas análises psicológicas, seu senso de realidade, sua lucidez sobre o comportamento social, e pela força de seu estilo em grandes romances, tais como Madame Bovary (1857), A Educação Sentimental (1869), Salambô (1862) e contos, tal como Trois contes (1877).

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