BOCCACCIO (1313-1375)

— Oh, Amor! Quantas e quais são as suas forças! Quantos os seus conselhos, e quantas as suas espertezas! Que filósofo, que artista teria podido, ou poderia, pôr em prática aquelas argúcias, aquelas ladinezas, aquelas demonstrações, que você inspira, de súbito, a quem segue os seus ditames? Não há dúvida que a iniciativa de qualquer outra entidade é lenta, em confronto com a sua, como muito bem se poderá verificar e compreender por meio das coisas até agora narradas. A essas coisas, mulheres amorosas, acrescentarei um ardil adotado por uma mulher simplória; é um ardil de tal ordem, que eu não sei quem o poderia inspirar, a não ser o Amor.

O DECAMERÃO
Sétima Jornada: Dionéio
Quarta Novela: Laurinha

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