STENDHAL (1783-1842)

As noites dessas duas criaturas foram bem diferentes. A sra. de Rênal estava exaltada pelos arroubos da mais elevada volúpia moral. Uma mocinha coquete que se apaixona muito cedo acostuma-se com a vertigem do amor; quando chega à idade da verdadeira paixão, já não existe o encanto da novidade. Como a sra. de Rênal nunca lera romances, todas as nuances de sua felicidade eram novas para ela. Nenhuma triste verdade vinha esmorecê-la, nem mesmo o espectro do futuro. Imaginava-se tão feliz dali a dez anos quanto naquele momento. A própria ideia da virtude e da fidelidade juradas ao sr. de Rênal, ideia que a deixara agitada alguns dias antes, apresentou-se em vão, sendo dispensada como hóspede inoportuno. "Jamais concederei nada a Julien", pensou a sra. de Rênal, "viveremos no futuro como estamos vivendo há um mês. Será um amigo.

O VERMELHO E O NEGRO

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