MIL E UMA NOITES

Eles disseram-me: “Ó sábio, tu és, por tua sabedoria, entre os humanos, como a lua na noite.”


Respondi-lhes: “Poupai-me, por favor, essas palavras. Não há outra sabedoria senão a do Destino.”


Pois eu, com toda a minha sabedoria, todos os meus manuscritos e meus livros, e o meu tinteiro, eu não saberia equilibrar a força do Destino durante um só dia. E aqueles que apostassem em mim não poderiam senão perder suas apostas. Na verdade, nada é mais desolador que o pobre, o estado do pobre, o pão do pobre e a sua vida!


Se vem o estio, ele esgota suas forças. Se vem o inverno, nada tem para se aquecer, além do seu borralho.


Se ele pára de andar, os cães se precipitam para escorraçá-lo. Ele é miserável. É um motivo de ofensas é escárnio. Oh! Quem será mais miserável do que ele?


Se não se decidir a erguer seu pranto aos homens, e a mostrar sua miséria, quem se lembrará de lastimá-lo?

Oh! se assim é a vida do pobre, o túmulo é, para ele, certamente preferível!

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