ARIESPHINX

MANUEL BANDEIRA



Montanha e chão. Neve e lava,
Humildade da umidade.
Quem disse que eu não te amava?
Amo-te mais que a verdade.

E de resto o que é a verdade?
E de resto o que é a poesia?
E o que é, nesta guerra fria,
Qualquer pura realidade?


Então, tão-só no passado
Quero situar o meu sonho.
Faço como tu e, mudado
Em arisphinx, sotoponho

O leão ao manso carneiro.
Doçura de olhos de corça!
Doçura, divina força
De Jesus, de Deus cordeiro.

Comentários

  1. Não conhecia o poeta Manuel Bandeira e, por conseguinte, também não conhecia os poemas.
    Poemas intensos, directos que doem pelos sonhos que não têm.


    Abraço

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