STENDHAL (1783-1842)

Segura da afeição de Julien, talvez sua virtude tivesse encontrado forças contra ele. Trêmula por medo de o perder para sempre, a paixão a desvairou a ponto de fazê-la retomar a mão que Julien, distraído, deixara apoiada no espaldar de uma cadeira. O gesto despertou o jovem ambicioso: quis ter por testemunhas todos aqueles nobres tão orgulhosos que, à mesa, quando ele ficava num canto com as crianças, o olhavam com um sorriso protetor. "Esta mulher não pode mais me desprezar: neste caso", pensou, "devo me mostrar sensível à sua beleza; tenho para comigo mesmo o dever de ser seu amante."

O VERMELHO E O NEGRO

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