JORGE DE LIMA (1895-1953)

Lâmpada marinha,
Anjo augural, rosa,
Chama ou lírio ardido,
Cosmoramia em
Que me transviei.
Em certa noite éramos
Seis em torno de uma
Esfera armilar
Povoada de insetos.
- Não reveles (disse-me).
E eu lhe perguntei:
- Tu como te chamas?
Se nome de números
Já não me recordo.
Sei que uma menina
Começou a alar-se.
Avistei-a um dia
Ao findar-se o século,
Entre muita gente,
Gente que esperava
A manhã nascer.
- Tu como te chamas?
Seu nome de números
Já não me recordo.
Mas, via-a outra vez:
O mundo ia acabar,
Algumas carruagens
Já haviam parado.
- Não me esqueças nunca!
Diz-me, e eu lhe pergunto:
- Tu como te chamas?
Foi há muito tempo.
Já não me recordo.
Oh, não procureis
Um nexo naquilo
Que dizem os poetas.

Jorge Mateus de Lima foi um político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro. Inicialmente autor de versos alexandrinos, posteriormente transformou-se em um modernista.

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