EU

FLORBERLA ESPANCA



Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem morte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombras de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca
(8 de dezembro de 1894, Vila Viçosa, Portugal - 8 de dezembro de 1930, Matosinhos, Portugal)
Florbela Espanca, batizada como Flor Bela Lobo, e que opta por se autonomear Florbela d'Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa.

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