MIL E UMA NOITES

O tempo já marcou os benefícios e os dons dos homens generosos, mas se desesperançou de poder chegar a enumerar os teus, um dia!


Depois de Alá, o gênero humano não recorre senão a ti, pois tu és na verdade o pai de todas as dádivas.


Eu vos falarei de sua pena:


Sua pena! É a primeira e a própria origem das penas! Seu poder é uma coisa surpreendente; foi ela que o situou no número dos sábios notáveis.


Daquela pena, mantida entre a pulpa dos seus cinco dedos, correm sobre o mundo cinco rios de eloqüência e poesia.


Eu vou falarei da sua imortalidade.


Não há escritor que não morra; mas o tempo eterniza a obra de suas mãos.


Por isso não deixeis tua pena escrever senão coisas que poderiam deixar-te orgulhoso no dia da Retribuição!


Se abrires o tinteiro, não molhes nele a pena senão para traçares linhas dadivosas e benfazejas.


Mas, se não puderes servir-te dela para redigir doações, que pelo menos mergulhes nele a pena a serviço da beleza. E, desta sorte, estarás entre aqueles que se contam entre os maiores escritores.

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