POEMA DESENTRANHADO DE UMA PROSA DE AUGUSTO FREDERICO SCHMIDT

MANUEL BANDEIRA



A luz da tua poesia é triste mas pura.
A solidão é o grande sinal do teu destino.
O pitoresco, as cores vivas, o mistério e o calor dos outros seres te interessam realmente.
Mas tu estás apartado de tudo isso, porque vives na companhia dos teus desaparecidos,
Dos que brincaram e cantaram um dia à luz das fogueiras de S. João
E hoje estão para sempre dormindo profundamente.
Da poesia feita como quem ama e quem morre
Caminhaste para uma poesia de quem vive e recebe a tristeza
Naturalmente
- Como o céu escuro recebe a companhia das primeiras estrelas.

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