MIL E UMA NOITES

Eu tomei-te como uma couraça a qualquer prova para me garantir dos dardos inimigos: e fostes tu mesmo o ferro da lança, o agudo ferro que trespassa.

Quanto a mim, quando o poder era o meu quinhão, a minha mão direita, que deveria punir, abstinha-se, passando a arma à mão esquerda, incapaz. Eu agia assim.

Poupai-me, rogo-vos, as censuras cruéis e as repreensões, e deixai que meus inimigos, unicamente, me atirem as flechas de desgraça.

À minha pobre alma experimentada pelas torturas inimigas, concedei o dom do silêncio, e não a esmagueis pela dureza e pelo peso das palavras!

Escolhi meus amigos para me servirem de sólidas couraças. Eles o foram, mas contra mim, nas mãos dos meus inimigos! Eu os escolhi para me servirem de flechas assassinas. Eles o foram. Mas, contra o meu coração!

Cultivei corações com fervor para torná-los fiéis. Eles foram fiéis, mas a outros amores.

Cuidei deles com todo o fervor, para que eles fossem constantes! Eles foram constantes, sim, mas na traição.

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