MIL E UMA NOITES

Até quando este afastamento e este abandono tão duro? Não sabes que os meus olhos não mais tem lágrimas para derramar?


Tu me desamparas! Pensarás em despertar por muito tempo ainda de nossa antiga amizade? Oh! Se o teu fim não era senão despertar em mim o ciúme, tu o alcançaste bem!


Se o destino devesse favorecer sempre os homens apaixonados, as pobres das mulheres não achariam mais um dia só para fazer suas censuras aos amantes infiéis!


Mas eu, ai de mim! a quem deverei queixar-me para aliviar um pouco as minhas mágoas, traçadas por tua mão, ó destruidor deste coração!… Ai de mim! ai de mim! que decepção não espera o infeliz que tenha perdido o documento do seu crédito ou de um dívida paga!…


A tristeza do meu coração magoado aumenta mais ainda a loucura do desejo! Mas, onde estás?


Ó irmãos muçulmanos! eu vos deixo a função de me vingardes do infiel! Que ele prove iguais sofrimentos! Que — apenas seus olhos se fechem para o repouso — depressa a insônia os abra amplamente!


Ele me fez chegar, por amor, às piores humilhações. Assim eu desejo que alguém, em meu lugar, tenha as maiores satisfações à sua custa.


Fui eu, até agora, que me consumi por seu amor. Mas será a vez dele, amanhã — dele que me acusa — de sofrer.

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