STENDHAL (1783-1842)

A sra. de Rênal, rica herdeira de uma tia devota, casada aos dezesseis anos com um bom fidalgo, nunca na vida sentira ou vira nada que se parecesse minimamente com o amor. O bom cura Chêlan, seu confessor, fora o único que lhe falara do amor, a propósito do assédio do sr. Valenod, e lhe pintara um quadro tão repugnante que para ela a palavra representava a mais abjeta libertinagem. Via como exceção, ou mesmo como algo totalmente estranho à natureza, o amor que encontrara no pequeníssimo número de romances que o acaso lhe pusera diante dos olhos. Graças a essa ignorância, a sra. de Rênal, perfeitamente feliz, ocupada sem cessar com Julien, estava longe de fazer a si mesma a menor censura.

O VERMELHO E O NEGRO

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