MIL E UMA NOITES

Se alguém viesse queixar-se a nós do amor, que lhe responderíamos? Se nós mesmos estávamos abismados pelo amor, que havíamos de fazer?


Aliás, se encarregarmos um intérprete de responder por nós, o intérprete, na verdade, não saberá dar conta de todas as queixas de um coração amante.


E, se suportamos e sofremos em silêncio a fuga do bem-amado, a dor nos terá posto depressa às portas da morte.


Oh, a dor! Para nós não há mais senão mágoas, luto e lágrimas rolando sobre as faces.


E tu, querido ausente, que fugiste ao olhar dos meus olhos, e cortaste os laços que te prendiam à minha alma.


Dize: guardaste pelo menos um sinal do nosso amor passado, um pequeno sinal que duraria além do tempo?


Ou esqueceste, graças à tua ausência, a causa que extenuou todas as minhas forças, e por ti me pôs neste estado de magreza e debilidade?


Se no entanto o exílio for ainda o meu quinhão, eu pedirei um dia contas a Alá, nosso senhor, de todos os meus sofrimentos!

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