FLAUBERT (1821-1880)

Como escutou, pelas primeiras vezes, a lamentação sonora dos melancólicos românticos a espalhar-se por todos os ecos da terra e da eternidade! Se a sua infância tivesse se passado nos fundos da loja de um bairro comercial, ela talvez tivesse se aberto então às invasões líricas da natureza, que, ordinariamente, só nos chegam pela tradução dos escritores. Mas ela conhecia demais o campo; conhecia o balido dos rebanhos, os laticínios, os arados. Habituada aos aspectos calmos, voltava-se, ao contrário, para os acidentados. Só gostava do mar por causa das tempestades e do verdor quando estava espalhado por entre ruínas. Era preciso que tirasse das coisas uma espécie de proveito pessoal; e rejeitava como inútil tudo aquilo que não contribuísse para o consumo imediato do seu coração - sendo de índole mais sentimental do que artística, buscando emoções, e não paisagens.

MADAME BOVARY

Gustave Flaubert foi um escritor francês. Prosador importante, Flaubert marcou a literatura francesa pela profundidade de suas análises psicológicas, seu senso de realidade, sua lucidez sobre o comportamento social, e pela força de seu estilo em grandes romances, tais como Madame Bovary (1857), A Educação Sentimental (1869), Salambô (1862) e contos, tal como Trois contes (1877).

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