FLAUBERT (1821-1880)

As religiosas, que tinham tão bem presumido sua vocação, deram-se conta, com grandes espantos, que a srta. Rouault parecia escapar aos cuidados delas. Tinham-lhe, com efeito, prodigalizado os ofícios, os retiros, as novenas e os sermões, pregado tão bem o respeito que se deve aos santos e aos mártires, e dado tantos bons conselhos para a modéstia do corpo e a salvação da alma, que ela fez como os cavalos que se puxam pelas rédeas: empacou de chofre e o freio lhe escapou dos dentes. Esse espírito positivo em meio a seus entusiasmos, que tinha gostado da inveja por suas flores, da música pelas palavras das romanças, e da literatura por suas excitações passionais, insurgia-se diante dos mistérios da fé, assim como se irritava mais contra a disciplina, que era algo de antipático à sua compleição. Quando o pai a retirou do pensionato, não ficaram zangadas por vê-la ir-se embora. A superiora achava até que ela se tornara, nos útimos tempos, pouco reverente para com a comunidade.


MADAME BOVARY

Gustave Flaubert foi um escritor francês. Prosador importante, Flaubert marcou a literatura francesa pela profundidade de suas análises psicológicas, seu senso de realidade, sua lucidez sobre o comportamento social, e pela força de seu estilo em grandes romances, tais como Madame Bovary (1857), A Educação Sentimental (1869), Salambô (1862) e contos, tal como Trois contes (1877).

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