STENDHAL (1783-1842)

Com a vivacidade e a graça que lhe eram naturais quando estava longe do olhar dos homens, a sra. de Rênal saía pela porta envidraçada do salão que dava para o jardim quando percebeu, perto da porta de entrada, a figura de um jovem camponês ainda quase criança, extremamente pálido e que acabara de chegar. Usava uma camisa branca muito limpa e trazia debaixo do braço um jaleco asseado de ratina violeta.

A pele do camponesinho era tão branca, tão doces eram os seus olhos, que o espírito um tanto romanesco da sra. de Rênal imaginou primeiro que se tratasse de uma mocinha disfarçada, que vinha pedir algum favor ao senhor prefeito. Teve pena da pobre criança, parada diante da porte e evidentemente sem coragem de erguer a mão até a campainha. A sra. de Rênal aproximou-se, distraída por um momento da amarga aflição que lhe causava a vinda do preceptor. Julien, voltado para a porta, não a viu chegar.

O VERMELHO E O NEGRO

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