D. GRILO

JORGE DE LIMA


Noite toda eis-me a ouvir o trilar de D. Grilo.
E que chuva lá fora estrugindo e ululando!
E velamos os dois: eu surpreso em ouvi-lo,
E D. Grilo a lembrar um trovador cantando!


Que feições há do amor em cantá-lo e exprimi-lo:
Um rugido estridente e outro agora vibrando
Umas notas sutis, um invaríável trilo,
Mas que deve encerrar um coração pulsando!



E D. Grilo a trilar... E que noite lá fora!
E que chuva e que vento! E D. Grilo a trilar:
Queixas de quem padece e apaixonado chora...


E D. Grilo a trilar sem alívio e conforto...
E que noite e que vento! Há de corpo tombar:
É D. Grilo, coitado, emudecido, morto!

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