SWEENEY ENTRE OS ROUXINÓIS

T. S. ELIOT



Sweeneypanzé flexiona seus joelhos

E a sacudir os braços rindo desabafa,
As listras que zebram suas mandíbulas
Quadriculam-se em manchas de girafa.

Os circos da sombria Lua rodopiam
Rumo ao poente até a foz do Prata.
A morte e o Corvo mais acima orbitam
E à Porta dos Cornos Sweeney monta guarda.


A lúgubre Órion e o Cão de um véu se cobrem,

E os mares em silêncio ao fundo se recolhem;
A dama em capa espanhola se desdobra
Por sentar-se aos joelhos que Sweeney dobra

Tropeça e arranca da mesa uma toalha

Entorna o bule de café, perde o equilíbrio
E ainda ao chão se recompõe, estica
E ajusta às pernas suas meias de malha.

O homem taciturno em seu gibão castanho

À janela escarrancha-se e boceja;
O garçom lhe traz laranjas figos bananas
E uvas de fino trato na bandeja.

O silente vertebrado à carapaça

Castanha se enraíza, afasta-se em seguida;
Raquel, née Rabinovitch, espedaça
As uvas com suas garras homicidas.

Ela e a dama em sua capa espanhola

São suspeitas, tramam entre si uma liga;
Por isso, o homem de olhos encovados
Desiste do gambito, mostra sua fadiga.

Deixa o recinto e logo reaparece

Ao peitoril da janela debruçado;
Entre ramos de glicínia circunscrito
Mofa um sarcástico riso dourado

O hospedeiro à parte cavaqueia

Com alguém que à porta mal se delineia,
E agora os rouxinóis cantando estão
Junto ao Convento do Sagrado Coração.

Assim como cantaram no sangrento bosque

Quando Agamêmnon lá gritou, apunhalado,
E deixou que deles a voz pura gotejasse
A sujar-lhe o rígido sudário desonrado.

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