FLAUBERT (1821-1880)

Por cansaço, Charles parou de ir à casa dos Betaux, Héloise o havia feito jurar que não iria mais lá, com a mão sobre o missal, depois de muitos soluços e beijos, numa grande explosão de amor. Ele então obedeceu; mas a ousadia do seu desejo protestou contra o servilismo de seu comportamento, e, por uma espécie de hipocrisia ingênua, estimou que essa proibição de vê-la era como um direito de amá-la. E além disso a viúva era magra; tinha dentes compridos; em todas as estações usava um xalezinho preto cuja ponta descia entre as omoplatas; sua cintura rígida ficava guardada em vestidos à guisa de bainha, demasiado curtos, que deixavam ver as canelas, com os grandes laços dos sapatos se entrecruzando sobre meias cinzentas.

MADAME BOVARY

Gustave Flaubert foi um escritor francês. Prosador importante, Flaubert marcou a literatura francesa pela profundidade de suas análises psicológicas, seu senso de realidade, sua lucidez sobre o comportamento social, e pela força de seu estilo em grandes romances, tais como Madame Bovary (1857), A Educação Sentimental (1869), Salambô (1862) e contos, tal como Trois contes (1877).

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