SWEENEY ERETO

T. S. ELIOT



And the trees about me.
Let then be dry and leafless, let the rocks
Groan with continual surges: and behind me
Make all a desolation. Look, look, wenches!

Pincela-me uma praia cava e desolada

Perdida em meio às irrequietas Cíclades,
Pinta-me rochedos íngremes e angulosos
Frente aos uivantes mares tormentosos.

Desenha-me lá em cima a antiga Eólia,
Rememorando as rebeldes procelas
Que emaranham o fio de Ariadne,
E enfuna às pressa as perjuras velas.


A manhã seus pés e suas mãos agita

(Nausícas e Polifemo).
Trejeitos de orangotango agora sobem
Pelo lençol que a neblina ainda encobre.

Essa murcha raiz de enovelados pelos

Cortada rente e acutilada de olhos,
Esse oval O cheio de dentes como abrolhos;
A falciforme agitação das coxas

Dobra-se ao meio e galga até os joelhos,

Apruma-se depois do calcanhar às ancas,
Desabando sobre as vértebras do leito
E amarfanhando a fronha do travesseiro.

De corpo inteiro foi Swenney barbear-se

Escarranchado, da nuca às nádegas rosado;
E como das fêmeas compartilhe o gosto
De espuma eis que lambuza todo o rosto.

(A sombra alongada de um homem

É história, disse Emerson,
Que nunca viu a silhueta escanchada
De Sweeney contra o sol recortada.)

Sua navalha ele afia sobre a perna

À espera de que os uivos diminuam.
À crise da epiléptica ninguém acode
E ela à cama se agarra como pode.

No corredor, as damas se descobrem

Elas próprias envolvidas, difamadas,
Clamam por quem lhes possa a honra comprovar
E contra o mau gosto imprecam sem cessar.

Ponderando que essa histeria pode ser

Talvez ali difícil de entender;
A Senhora Turner insinua, o ar sisudo,
Que bem nenhum à casa faz aquilo tudo.

Mas Dóris, numa toalha de banho envolta,

Entra a passo firme e desenvolta,
Trazendo frascos de sais voláteis
E um copo de puríssimo conhaque.

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