JORGE DE LIMA (1895-1953)

Há necessidade de tua vinda, Mira-Celi:
Milhares de ventres virginais te esperam
através de séculos e séculos de insônia!
Basta de te entremostrares:
Nós já te pressentimos demais
em certos momentos de mistério
ou sob algumas aparências obscuras.
Há lábios entreabertos esperando:
São os meus irmãos,
a quem anunciei que tu virias.
Há palavras de fogo, semi-apagadas:
há janelas desertas, já fechadas;
há ausências inexplicáveis, gestos mortos;
há lagos estagnados sob gritos de luto.
Quando vieres, as árvores ocas darão flores,
e teu esplendor acenderá pela noite dormente
os olhos entreabertos dos semblantes amados. Há necessidade de tua vinda, Mira-Celi:
Milhares de ventres virginais te esperam
através de séculos e séculos de insônia!
Basta de te entremostrares:
Nós já te pressentimos demais
em certos momentos de mistério
ou sob algumas aparências obscuras.
Há lábios entreabertos esperando:
São os meus irmãos,
a quem anunciei que tu virias.
Há palavras de fogo, semi-apagadas:
há janelas desertas, já fechadas;
há ausências inexplicáveis, gestos mortos;
há lagos estagnados sob gritos de luto.
Quando vieres, as árvores ocas darão flores,
e teu esplendor acenderá pela noite dormente
os olhos entreabertos dos semblantes amados.

Jorge Mateus de Lima foi um político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro. Inicialmente autor de versos alexandrinos, posteriormente transformou-se em um modernista.

Comentários