FLAUBERT (1821-1880)

Nas belas noites de verão, na hora em que as ruas mornas estão vazias, quando as criadas jogam peteca diante das portas, ele abria a janela e se acotovelava. O rio, que faz dessa parte do bairro uma ignóbil pequena Veneza, corria lá abaixo dele, amarelo, violeta ou azul, entre as pontes e suas grades. Operários, agachados à beira dele, lavavam os braços na água. Sobre jiraus partindo do alto dos sótãos, chumaços de algodão secavam ao ar livre. À frente, além dos telhados, o grande céu puro se estendia, com o sol vermelho se pondo. Como devia estar gostoso lá longe! Que frescor sob o bosque de faias! E ele abria as narinas para aspirar os bons cheiros do campo, que não chegavam até ele.

MADAME BOVARY

Gustave Flaubert foi um escritor francês. Prosador importante, Flaubert marcou a literatura francesa pela profundidade de suas análises psicológicas, seu senso de realidade, sua lucidez sobre o comportamento social, e pela força de seu estilo em grandes romances, tais como Madame Bovary (1857), A Educação Sentimental (1869), Salambô (1862) e contos, tal como Trois contes (1877).



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