TRECHOS DE LEITURAS DIÁRIAS - 31/03/2017

(...) O casamento não era algo implícito, mas explicitava: o que criou a ilusão de uma crise da nupcialidade, de uma difusão do celibato (sabemos o que são essas obsessões coletivas, que nenhuma prova estatística consegue eliminar); os romanos tiveram tal ilusão antes que seus historiadores também a tivessem, e o imperador Augusto decretará leis especiais para incitar os cidadãos a se casarem. 
O casamento, portanto, era tido como um dever entre outros, uma opção. Não é o "fundamento de um lar", o eixo de uma vida, e sim uma das numerosas decisões dinásticas que um senhor deverá tomar: entrar na carreira pública ou permanecer na vida privada a fim de aumentar o patrimônio dinástico, tornar-se militar ou orador etc. A esposa será menos a companheira desse senhor que o objeto de uma de suas opções. (...)

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA
I. DO IMPÉRIO ROMANO AO ANO MIL

(...) O casamento é apenas um dos atos da vida, e a esposa não passa de um dos elementos da casa, que compreende igualmente os filhos, os libertos, os clientes e os escravos. (...)

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA
I. DO IMPÉRIO ROMANO AO ANO MIL


(...) a única coisa clara é que a senhora, bem acompanhada, tem o direito de visitar as amigas.
A mulher é uma criança grande da qual se deve cuidar por causa do dote e do nobre pai. (...)

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA
I. DO IMPÉRIO ROMANO AO ANO MIL

(...) Um marido é senhor tanto da esposa como dos filhos e dos domésticos; o fato de sua mulher ser infiel não constitui um ridículo, e sim uma desgraça, nem maior nem menor do que sua filha engravidasse ou um de seus escravos faltasse ao dever. Se a esposa o engana, criticam-no por falta de vigilância ou de firmeza e por deixar o adultério florescer na cidade. Assim como repreendemos os pais muito fracos e que mimam os filhos, os quais acabarão caindo na delinquência, aumentando a insegurança pública. O único meio de um marido ou um pai prevenir tal dano era ser o primeiro a denunciar publicamente a má conduta dos seus. (...)

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA
I. DO IMPÉRIO ROMANO AO ANO MIL

(...) Não mais estranho aos romanos que o sentido bíblico da apropriação de uma carne; não os repugnava esposar uma divorciada ou, como o imperador Domiciano, aceitar de volta uma esposa que durante algum tempo havia sido a mulher de outro homem. Constituía um mérito conhecer somente um homem ao longo da vida, mas apenas os cristãos procurarão transformar isso em dever e tentarão impedir que as viúvas se casem novamente.

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA
I. DO IMPÉRIO ROMANO AO ANO MIL


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