TRECHOS DE LEITURAS DIÁRIAS - 28/03/2017

(...) Consta que essa gente vivia em estado de promiscuidade sexual, com exceção de um punhado de escravos de confiança que administravam a casa do senhor ou que, servindo ao próprio imperador, eram os funcionários da época. Esses privilegiados tomavam por longo tempo uma concubina exclusiva ou a recebiam das mãos do senhor.

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA 
I. DO IMPÉRIO ROMANO AO ANO MIL

(...) Entre eles alguns nasceram livres das justas núpcias de um cidadão e uma cidadã; outros são bastardos nascidos de uma cidadã; outros ainda nasceram escravos mas foram libertados: nenhum deles é menos cidadão e todos podem recorrer à instituição cívica do casamento. Tal instituição é paradoxal a nossos olhos: o casamento romano é um ato privado, um fato que nenhum poder público deve sancionar: ninguém passa diante do equivalente a um juiz ou a um padre; é um ato não escrito (não existe contrato de casamento, mas apenas um contrato de dote... supondo que a prometida possua um dote) e até informal: nenhum gesto simbólico, por mais que se diga, era obrigatório. Em suma, o casamento era um fato privado, como entre nós o noivado. (...)

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I. DO IMPÉRIO ROMANO AO ANO MIL



Era fundamental determinar se os cônjuges estavam unidos em justas núpcias; pois o casamento, instituição privada, não escrita e até não solene, era uma situação de fato que criava efeitos de direito: os filhos de tais núpcias são legítimos; tomam o nome do pai e continuam a linhagem, com a morte do pai, sucedem-no na propriedade do patrimônio... se não foram deserdados. Resta precisar ainda uma coisa, para encerrar as regras do jogo: o divórcio. Do ponto de vista do direito, é tão fácil para a mulher como para o marido, e tão informal quanto o casamento: basta que o marido ou a mulher se afaste com a intenção de se divorciar. Às vezes os juristas hesitavam legitimamente: simples desavença ou verdadeira separação? Não era sequer estritamente necessário prevenir o ex-cônjuge, e havia em Roma maridos divorciados de sua única esposa sem o saberem. Quanto à mulher, quer tome a iniciativa do divórcio, quer seja repudiada, deixa o lar conjugal levando seu dote, caso o tenha. Em contrapartida, os filhos, se existem, parece que sempre ficam com o pai.

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I. DO IMPÉRIO ROMANO AO ANO MIL

(...) A noite de núpcias desenrolava-se como uma violação legal, da qual a esposa saía "ofendida contra o marido" (que, habituado a usar suas escravas, não percebia bem a iniciativa da violação); comumente ocorria que na primeira noite o recém-casado se abstinha de deflorar a mulher, em consideração à sua timidez; nesse caso, porém, tinha a compensação de... sodomizá-la: Marcial e Sêneca pai o dizem proverbialmente e a Casina o confirma. (...)

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I. DO IMPÉRIO ROMANO AO ANO MIL

(...) Sendo legítimos os prazeres conjugais, os convidados têm o direito e até o dever de enaltecê-los alegremente no dia das bodas. Um poeta chega a prometer em seu epitalâmio uma tarde de amor ao novo esposo: ousadia perdoável no dia seguinte às núpcias; do contrário, fazer amor sem ser à noite constituiria descarada libertinagem.

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