TRECHOS DE LEITURAS DIÁRIAS - 06/03/2017

Esse homem e essa mulher não são objetos, pois nos veem; porém, nada fazem para nos provocar, seduzir, convencer ou entremostrar alguma interioridade que não mais ousaríamos julgar. Percebem menos nossa presença do que se oferecem tranquilamente aos olhos do mundo: nossa presença é natural, e eles mesmos se acham naturais; são o que nós somos, e os olhares se trocam com igualdade por um valor comum.

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA 
I. DO IMPÉRIO ROMANO AO ANO MIL


Hoje em dia acreditamos na arbitrariedade dos costumes, no tempo da história e na finitude. Para nos despertar do sonho humanista em que eles estão mergulhados basta um primeiro argumento, ainda exterior: esse homem e essa mulher eram ricos o bastante para mandar pintar seu retrato. Também são indivíduos apenas na aparência; seu retrato, que poderíamos tomar por uma foto instantânea, como que por acaso lhes fixou a identidade na faixa dos quarenta anos, em que se acabou de crescer e ainda não se começou a envelhecer. Não são seres de carne e osso, captados num momento qualquer de sua vida, mas os tipos individualizados de uma sociedade que quer ser ao mesmo tempo natural e ideal. O instante coincide com uma verdade sem idade, e o indivíduo é uma essência.

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA 
I. DO IMPÉRIO ROMANO AO ANO MIL


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