MINHA CALÇA RASGOU

Minha calça rasgou quando eu sentei no ônibus no caminho do trabalho. Sorte minha que tava com bata que vai até os joelhos. Desci na rodoviária de Miracatu, a maioria das lojas estavam fechadas, só havia uma aberta, como eu estava com a calça rasgada e precisava ir ao trabalho não tinha muita escolha. Fui nessa loja, pedi calças de tecidos por serem mais baratas e confortáveis pois dificilmente uso jeans. Faço uma pausa para uma observação que é uma realidade para todas as mulheres que estão acima do peso: não temos muita escolha de roupas pois as mais estilosas, com estampas mais legais são as com numeração mais baixa do tipo P e PP, e algumas com M, já quem usa G para cima não tem o poder de escolher já que tem poucas opções e o que serve está valendo, sem contar o constrangimento que passamos ao usar tal roupa que gostamos ao olhar mas ao experimentar não nos serve. Retornando ao episódio da loja, experimento todas as calças de tecido disponíveis que eram 6 peças de tamanhos variados desde do P ao GG, todas serviram porém ficaram justas nas cochas (eu tenho cochas grossas), e inacreditável, as G e GG eram do mesmo tamanho que as P e mais justas. Outra pausa para comentar que essas classificações de tamanho de roupas são enganosas, servem para aumentar a nossa baixa-autoestima, nos sentirem mais gordas que estamos pois em muitos modelos G são tamanhos pequenos. Como eu já tinha rasgado uma calça de tecido não queria correr o risco novamente, para piorar a minha situação, estava um pouco atrasada para entrar no serviço e as outras lojas do município estavam fechadas, logo eu teria de comprar algo naquela loja que estava. Me observei no espelho, verifiquei que a minha bata podia ser usada como vestido, porém, como eu estava indo ao trabalho não seria legal usar somente com calcinha por baixo, por conseguinte, pedi shorts que pudesse ser usado por baixo e acabei comprando um de cotton (tecido que não curto muito por depois de muito uso ficarem desbotado e esticado) tamanho GG. E é o que estou usando agora, ainda bem que está calor, mas, sinceramente, prefiro mais calças por serem mais confortáveis, não me sinto muito a vontade em usar shorts, ainda mais no trabalho, e não, meu incômodo não é pelo fato das minhas pernas estarem peludas já que quase esqueço de depilar as pernas, meu incômodo mesmo é porque não gosto de usar shorts.



Ia esquecendo de fazer algumas observações pessoais como as minhas emoções do ocorrido. Fiquei chateada comigo, me senti gorda, ainda mais quando as calças que experimentei nenhuma me serviu principalmente as de tamanho G e GG. Depois desse episódio foi um aviso de que realmente preciso perder peso e não posso mais negligenciar isso, amanhã com a ajuda do meu namorado montaremos o meu cardápio de reeducação alimentar, terei sim ajuda dele já que nós dois cozinhamos e revezamos isso (ele acaba cozinhando mais vezes que eu). Ninguém descaradamente (além dos meus pais) me acusa de gorda, na verdade eu sou vista como gostosa ou gordinha saliente. Eu me olho no espelho, me vejo acima do peso, há dias que me sinto bem e dou o foda-se comendo tudo o que desejo (tenho compulsão por comida); há outros dias que não me sinto bem e dai me recrimino quando me excedo na comida. Uma observação: dificilmente nos sentiremos bem com o nosso peso todos os dias, eu sou defensora do empoderamento feminino e da aceitação do próprio peso, mas, dificilmente sentiremos bem com o próprio corpo todos os dias, logo, é normal ter uns altos e baixos, o lance é saber lidar com essas alterações de humor do próprio peso e se aceitar do jeito que é. Eu me aceito como sou, só fico descontente quando alguma roupa não me serve (ou rasga) e quando sinto inúmeras dores (sinto todos os dias) no corpo que me faz lembrar que sou obrigada a perder peso para ter uma vida mais saudável e duradoura. 

JANAINA RAMOS

O rasgo da minha calça

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