FALTA DE HUMANIDADE

FONTE DA IMAGEM: RevistaFórum.com
O prefeito João Doria do Município de São Paulo recentemente  tem cumprido com as promessas feitas na campanha da sua candidatura, causando enorme descontentamento para os paulistanos. Eu temo pelo fim da cultura na cidade de São Paulo além de correr o risco de não ter melhores opções de carreira em cargos públicos, falarei mais sobre esse assunto em outra postagem pois o meu foco agora é outro.

Pois bem, quero chamar atenção em relação à situação dos moradores de rua. Ano passado o ex-prefeito Fernando Haddad tinha proibido em decreto a retirada de "cobertores, colchões, papelões, barracas" dos moradores de rua, e então, o João (como gosta e faz questão de ser chamado assim ao invés de prefeito) modificou esse mesmo decreto tirando essa proibição, em outras palavras, a Guarda Civil Metropolitana está autorizada a executar esse ato. Há divergências em relações às fontes de informações referentes a retirada dos cobertores já que o prefeito ressalta que seria desumano isso, e também, não foi autorizado a retirada dos bens pessoais como documentos, bolsas, entre outros objetos. Afinal, então é humano tirar à força os colchões, papelões e barracas deixando-os dormir no chão frio e molhado?  Por qual motivo esses itens não são considerados de uso pessoal? 



O mais humano seria se o João tivesse a experiência de uma passar uma noite deitado no chão da calçada só com um cobertor para ver se há empatia aos moradores de rua. É fácil permitir a retirada desses objetos enquanto que ele dorme no conforto da sua casa protegido por seguranças com refeições fartas. Eu já madruguei duas noites deitada num papelão na fila para o show do Épica no Audio Club em 2015, pois, é comum jovens fazerem isso em vésperas de shows das suas bandas favoritas. Se já foi muito incomodo e desconfortável essa pequena experiência imagine para quem é obrigado a essa situação desumana todos os dias? Isso porque durante o dia eu ia na minha casa tomar banho, trocar de roupa, descansar um pouco, comer para depois retornar na fila à noite pois fazia revezamento com outras pessoas do meu grupo.

É desumano a pessoa ter de privar do minimo de conforto para a sua sobrevivência mesmo que seja um simples papelão. Um morador ou moradora de rua está nessa situação por inúmeros motivos: despejo da casa pelo não pagamento de contas e impostos, dependência alcoólica ou química, abandono dos familiares e no caso de crianças abandonadas que cresceram nas ruas, doenças psicológicas e mentais... Muitos se recusam a ir para abrigos oferecidos pelos órgãos públicos por já se acostumaram com as ruas e desejam ter uma vida mais livre de obrigações como cumprir horários e pagar impostos. Outros não saem das ruas por causa dos vícios. Outro dia estava andando pelo centro e vi barracas na Av. São João, que protegem da chuva, frio e dá mais privacidade para eles não ficarem muito expostos à sociedade. São ainda pessoas em situações desumanas vivendo na extrema miséria, esquecidos e invisíveis para quem passa por eles, inclusive para mim que nunca deu uma esmola e recusa a dar devido ao meu pensamento (e da maioria das pessoas) de que poderão gastar com cachaça ou drogas, nas pouquíssimas vezes que pude ajudar eu dei um lanche e ainda foi o mínimo. Que o prefeito João Doria cumpra a sua promessa de melhoria de vida desses moradores de rua com abrigo, educação, assistência social e médica ao invés de os privar dos únicos confortos que lhes restam.


JANAINA RAMOS

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