A FUGA DA RAZÃO

11/08/2008

Quem sou eu?
Difícil o entendimento.
Ignoro quem eu seja.
Será que pertenço a esse mundo
diante de tantas crueldades?

Não me compreendo,
perco-me entre os raciocínios
e pensamentos sem fim
num labirinto sem saída.
Estou presa,
Acudam-me!
Preciso de ajuda!
Por que não ouvem aos meus apelos?

Inútil gritar,
Ninguém me escuta,
Não ouvem os meus gritos,
Devem estar preocupados
Com os seus compromissos
E nem percebem o meu suplicio.

Logo estarei perdendo os meus sentidos
E não saberei mais quem eu sou,
Minha memória vai-se esvaindo feito fumaça
E já não terei identidade.

Meu nome não terá significado,
Caminharei entre as pessoas
E não serei reconhecida
Pelos meus semelhantes.

Por que a razão foge de mim?
Que fiz a ela a merecer tal castigo?
Acaso cometi algum crime digno de despeito?

Acusam-me de perda de juízo,
Dizem blasfêmias ao meu respeito,
Denunciam-me diante de vários crimes
Sem provas e testemunhas.

Que sei eu
Do desprezo dos meus semelhantes?
Causo ódio a todos aqueles
Que convivem comigo.

Deliro.
Não sei mais o que digo
Ou que penso.
Os meus pensamentos
Tomaram vontade própria
E controlam-me
Como se eu fosse uma marionete.

Fujo de mim,
Sou eu o meu pior inimigo,
Traio os meus sentimentos
E sigo conforme as
Emoções do meu espírito.

Cai na armadilha da ilusão,
Imagino que recupero o meu raciocínio
E procuro a saída
Do labirinto dos pensamentos atormentados.

A loucura domina-me
E viverei nesse mar-sem-fim
Até encontrar a razão.


JANAINA RAMOS


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