POEMAS DA INFÂNCIA

JORGE DE LIMA


Trocava até meu carneiro
meu velocípede sim
sem saber os seus versos
meu Pai que será de mim?

Meu pai me bote na escola
de meu velho amigo Lau
quero aprender com ele
versos e não b, a, bá!!!

(7 anos de idade)


Minha madrinha Nossa Senhora
Está admirada de mim.
Está me olhando agora
Os olhos virados para mim.

(8 anos de idade)


Benedito criado de meu pai
A ele chamam diabo
Por ser preso esse rapaz
Mas Benedito é meu amigo
Por isto eu o bendigo
E lhe digo muito ancho
Benedito você é um anjo.

(8 anos de idade)


Tenho pena dos pobres, dos aleijados, dos velhos
Tenho pena do louco Neco Vicente
E da Lua sozinha no céu.

(9 anos de idade)


O dia de hoje é o dia de anos
Da bela professora D. Moça
Oh! Colegas alagoanos e pernambucanos
Eu peço hoje que me ouçam.
D. Moça é uma santa viva
Seu marido João Marinho é S. José.
Colegas neste dia de hoje tenham fé.

(10 anos de idade)


A serra de minha terra
Sabe histórias de trancoso
E histórias da negra guerra.

Quando eu for moço
Irei lá para ver de cima
O sobrado da família Lima.

(10 anos de idade)


Vi um menino cego
Chorei por este menino.
Minha tristeza não nego
Vi um menino cego
Choro por este menino.

(10 anos de idade)


Moro em frente da Igreja
Vivo feliz com meus pais.
Menino que mais desejas
Quando entras, quando sais?

(11 anos de idade)
Jorge de Lima
(23 de abril de 1895, União dos Palmares, Alagoas - 15 de novembro de 1953, Rio de Janeiro)
Jorge Mateus de Lima foi um político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro. Inicialmente autor de versos alexandrinos, posteriormente transformou-se em um modernista.

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