SONETO

AUGUSTO DOS ANJOS


Ao meu primeiro filho nascido morto com 7 meses incompletos
2 fevereiro 1911. 

Agregado infeliz de sangue e cal,
Fruto rubro de carne agonizante,
Filho da grande força fecundante
De minha brônzea trama neuronial,

Que poder embriológico fatal
Destruiu, com a sinergia de um gigante,
Em tua morfogênese de infante
A minha morfogênese ancestral?!

Porção de minha plásmica substância,
Em que lugar irás passar a infãncia,
Tragicamente anônimo, a feder?!...

Ah! Possas tu dormir feto esquecido,
Pantesticamente dissolvido
Na noumenalidade do NÃO SER!

Augusto dos Anjos
(20 de abril de 1884 - 12 de novembro de 1914)
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos foi um poeta brasileiro, identificado muitas vezes como simbolista ou parnasiano.

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