EPICICLO

JORGE DE LIMA


Alma, sê forte; corpo, sê robusto!
Nesse conflito atávico e instintivo
Sê como o gênio que possante e altivo
Constrói antes de morto o próprio busto!

Refreia o teu instinto e o doma a custo
Da dor da grande dor de seres vivo...
Eu quero! esse presente indicativo
Otávio a conjugá-lo fez-se Augusto...

Mas nunca concretizes teu ideal!
Um ideal realizado é um transparente
Fruto que ao ser provado sabe mal!

O artista é como o Errático do mito:
Onde pensa que é o fim, surge-lhe à frente
A estrada interminável do Infinito!

Jorge de Lima
(23 de abril de 1895, União dos Palmares, Alagoas - 15 de novembro de 1953, Rio de Janeiro)
Jorge Mateus de Lima foi um político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro. Inicialmente autor de versos alexandrinos, posteriormente transformou-se em um modernista.

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