AMOR CLANDESTINO

Era uma vez, numa terra distante e isolada existiu uma mulher que nunca foi amada por quem amou e sempre se escondeu na sombra dos seus amados os protegendo, cuidando para que sejam felizes.

Karina amou desafortunadamente poucos homens e infeliz do seu amor nunca os teve concretizados. Seu primeiro amor foi puramente platônico e idealizado, trocavam vários olhares entrecruzados e seu nome nunca chegou a ser mencionado três vezes nos lábios dele. O segundo era um militar animado pela sua juventude, infelizmente só tiveram um único momento nos braços um do outro e um único beijo forçado. O terceiro foi outro platônico idealista e desejo nunca realizado e permanecido só na inspiração poética. O quarto, ator de teatro e da vida, amor momentâneo entregue à paixão feroz e selvagem de instantes debaixo de lençóis. Esse último a paixão foi alimentada por um desejo idealizado durante semanas antes de consumado o ato. O quinto, paixão surgida nos seios dos ideais literários e na sedução do vinho que surrupia e cria uma amnésia de seus delírios sexuais. O sexto e último, puro sentimento afetivo num amor platônico nascido pela aproximação de dois amigos que se gostam muito. Desiludida pelos cinco, vitimada pelo amor não correspondido e amando o sexto, permanecerá na amizade para não perder seu amado e mesmo desejando algo a mais irá se contentar com a sombra dos sentimentos e o carinho dos seus abraços.


A infeliz amante solitária foi desprezada pelos seus amados e seu amor roubado ao destino cruel de negar o maior desejo: ser amada. O final da sua história será o triste desfecho de uma mulher que nunca foi amada e se entrega ao amor não correspondido em troca da felicidade do outro e sendo feliz dessa maneira por ter sido útil e cumprido sua missão. E viveu infeliz para sempre...

JANAINA RAMOS


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