MANGUE

JORGE DE LIMA



Como se nasce plátano ou carvalho
Eu nasci mangue no meu pátrio solo.
Enquanto alteio em meu louvor um galho
Trinta raízes de alicerce atolo.

Outros são glórias, eu apenas valho
Esse rochedo humílimo que rolo:
Viver comigo, para o meu trabalho,
Fincar-me às ribas deste meu Pactolo...

Deixar que os outros sejam leito e altar,
Ostentem galas, pomo grato às gentes,
Ornem a fronte dos que vão casar;

Para meu gozo, quero ser raiz,
Ser galho tosco, distribuir sementes,
Conquistar solo para o meu país.

Jorge de Lima
(23 de abril de 1895, União dos Palmares, Alagoas - 15 de novembro de 1953, Rio de Janeiro)
Jorge Mateus de Lima foi um político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro. Inicialmente autor de versos alexandrinos, posteriormente transformou-se em um modernista.

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