SONETO

FAGUNDES VARELA


Desponta a estrela d'álva, a noite morre.
Pulam no mato alígeros cantores,
E doce a brisa no arraial das flores
Lânguidas queixas murmurando corre.

Volúvel tribo a solidão percorre
Das borboletas de brilhantes cores;
Soluça o arroio; diz a rola amores
Nas verdes balsas donde o orvalho escorre.

Tudo é luz e esplendor; tudo se esfuma
Às carícias da aurora, ao céu risonho,
Ao flóreo bafo que o sertão perfuma!

Porém minh'alma triste e sem um sonho
Repete olhando o prado, o rio, a espuma:
- Oh! mundo encantador, tu és medonho!

Fagundes Varela
(17 de agosto de 1841, Rio Claro, Rio de Janeiro - 18 de fevereiro de 1875, Niterói, Rio de Janeiro)
Luís Nicolau Fagundes Varela foi um poeta romantista brasileiro da 2ª Geração, patrono na Academia Brasileira de Letras.

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