CASTELÃ DA TRISTEZA

FLORBELA ESPANCA


Altiva e couraçada de desdém,
Vivo sozinha em meu castelo: a Dor.
Passa por ele a luz de todo o amor...
E nunca em meu castelo entrou alguém!

Castelã da Tristeza, vês?... A quem?...
- E o meu olhar é interrogador -
Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr...
Chora o silêncio... nada... ninguém vem...

Castelã da Tristeza, porque choras
Lendo, toda de branco, um livro de horas,
A sombra rendilhada dos vitrais?...

À noite, debruçada, p'las ameias,
Porque rezas baixinho? Por que anseias?...
Que sonho afagam tuas mãos reais?...

Florbela Espanca
(8 de dezembro de 1894, Vila Viçosa, Portugal - 8 de dezembro de 1930, Matosinhos, Portugal)
Florbela Espanca, batizada como Flor Bela Lobo, e que opta por se autonomear Florbela d'Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa.

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