TÚMULO DE ROSAS

JANAINA RAMOS


“Helena reina nesse jardim de túmulos, a sua morte foi a minha ruína. O tiro que atravessou em seu peito arrancou o meu coração.” – suspira Wagner deitado entre as rosas no tumulo de sua esposa.

“Por que choras?” — ressoa uma voz de menina.

“Que voz é essa que ouço e não vejo de onde vem?” – pergunta Wagner.

“A voz que ouves vem dentro de ti.” — sussurrou a voz — “Sou o espírito de Helena.”

Wagner paralisa.

“Nunca o abandonei, o espírito solitário apossou de seu corpo.” — explica o espírito — “Vim te buscar.”
Uma nebulosidade transborda o céu inundando o cemitério. Lá no alto ouvem-se o clarim dos fiéis em peregrinação à missa de finados. Num sopro de ventania o espírito de Helena surge diante dos olhos de Wagner.

— Helena, estarei sonhando? Vejo a sua imagem quando tinha 8 anos.

— É a imagem das suas lembranças saudosas, a minha aparição foi uma suplica do seu pedido.

— Apaixonei por ti no instante em que a vi, os seus cabelos em chama, os olhos dos céus, as pétalas brotando, você era uma perfeita rosa em formação e uma bela imagem ao meu quadro. Foi através da minha paixão que instou esse desejo de pintar, há três anos que abandonei essa arte e passo horas intermináveis deitado sobre o seu tumulo de rosas.

A peregrinação dos fiéis aproxima com o seu cortejo fúnebre, ladainha de padre-nosso e ave-maria, o espírito de Helena tremeu.

— Wagner, vim te buscar. A cada passo de aproximação dos fiéis é uma perturbação ao meu espírito. Vem comigo.

Wagner aproxima do espírito, beija seus lábios e sucumbe com o seu amor. O cortejo fúnebre segue no seu cortejo. Ao passar defronte do tumulo de rosas vê-se um cadáver esquelético em cima segurando uma rosa vermelha.

Comentários