O ESTRANHO

JANAINA RAMOS



— Padre, eu pequei.

— Diga meu filho, qual foi o seu pecado.

— Eu cometi o pior dos pecados dito por Deus.

— E qual foi?

— Eu matei quem não me amava.
— Quem você matou?

— Todos que me achavam um estranho.

— Estranho?

— Sim, era assim como os outros me viam.

— E por qual razão?

— Minha mãe e meu pai eram irmãos de sangue que me abandonaram num bar, acabei sendo criado por uma prostituta e depois virando amante dela. Nunca namorei pela simples razão que todas as garotas me viam como uma aberração.  Também nunca tive amigos. Sempre vivi sozinho. Resolvi matar a todos que não gostavam de mim. Preparei uma festa, chamei a todos e coloquei veneno nos doces e salgados. Todos morreram envenenados.

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