O BOSQUE ADORMECIDO

JANAINA RAMOS


Num ponto remoto da imaginação humana, pairado no abismo do esquecimento, na longitude e latitude inexistente, reina um bosque tenebroso para as lembranças humanas. Folhas decrépitas, solo pedregoso, sensação de pisar em espinhos, céu de cinzas, nevoeiro que embaça a visão e ruídos de gáveas que ensurdece. O bosque adormecido aterroriza a mente dos desavisados que aterrissam e enlouquecem com os terrores da sua memória.

Escondida entre as sombras fugidias das árvores, Melissa perdida em seus pensamentos ouve o murmúrio das vozes, vozes do seu inconsciente e do bosque, atenta ao que dizem paira no tempo. O tempo paralisou no tempo em si, no bosque o tempo não existe, o tempo não passa, não há passado nem futuro, o presente, uma incessante dúvida.

Os seus passos guiados pela escuridão cega a arrastaram pelo arcabouço dos seus pesares, adentrou no interior do bosque e nunca mais libertará de seus grilhões. A sua existência se subjugará pelo eterno pensar, o reflexo da sua vida é a imagem da morte que a ronda pelas frestas da sua imaginação louca.

A memória de Melissa esvaziou-se em fumaça de espíritos melancólicos, a sua mente num vazio profundo de um poço sem fundo, vida sem passado e futuro errante na paralisação do tempo.

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