CANÇÃO MORTÍFERA

JANAINA RAMOS


Noite de lua cheia, na sombra dos enamorados os músicos entoam uma canção. O olhar do poeta diante de sua musa, o uivo do lobisomem, o beijo do vampiro, a insônia do suicida são refletidos pelo ventre do canto mortífero.

A música no sêmen da civilização, um refugo das temeridades humanas, um balsamo da alma. Pedro, Marcos, Lucas e André refugiam na orfandade dos músicos psicóticos.

Pedro, chefe do grupo, violonista e compositor cria melodias disparas a atrair os desesperados; André, o vocalista, escreve as musicas enquanto Marcos ensaia na flauta e Lucas no violino.

Enraizados pelo luar, os músicos psicóticos cantarolam nas noites de lua cheia, pernoitam em bordeis, dormem com as prostitutas e as estrangulam após voluptuosos prazeres. Antes de amanhecer, saem como sombras e partem rumo a outro vilarejo. Durante o dia passam o dia na praça entoando canções e arrecadando generosidade dos transeuntes. A cada noite atraem vitimas de suas canções mortíferas e as liberta de suas perturbações encaminhando suas almas ao paraíso. De sua música atraem a morte das infelizes prostitutas e como anjo dos esquecidos rendem louvores às alturas.



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