ENTRE RUÍNAS

RAIMUNDO CORREIA


PERCORRE no Oriente o viajor errante
As terras da Judéia ermas, abandonadas,
A mata secular do Líbano gigante,
E de Jerusálem as prístinas ossadas...

Ouve além marulhar o Cedron espumante,
E o nardo vai haurir às ânforas sagradas,
Mira de Babilônia os pórticos distante,
Ruinarias sem fim, torres desconjuntadas...

Silêncio tumular! Da maldição divina
Sente o peso fatal na triste Palestina,
E à preteria idade ele remonta e vê:

Cheias de luz, perante as cúspides das lanças
Dos déspotas da ideia, imperturbáveis, mansas
As tranquilas feições dos mártires da Fé.

Raimundo Correia
(13 de maio de 1859, São Luís, Maranhão - 13 de setembro de 1911, Paris, França)
Raimundo da Mota de Azevedo Correia foi um juiz e poeta brasileiro.

Comentários

  1. Janaina

    Fiquei muito feliz com sua presença lá no "Em Prosa e Verso" Muito obrigada e volte sempre.

    Gostei muito do seu cantinho. Parabéns.
    beijos

    Dulce

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