LÁGRIMAS OCULTAS

FLORBELA ESPANCA



Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca
(8 de dezembro de 1894, Vila Viçosa, Portugal - 8 de dezembro de 1930, Matosinhos, Portugal)
Florbela Espanca, batizada como Flor Bela Lobo, e que opta por se autonomear Florbela d'Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa.

Comentários

  1. Olá, Janaina!
    Aqui é o Henrique, do Escrevivendo.
    Adorei seu blog, os poemas, as fotos.
    Tudo é muito criativo e inteligente.

    Alegrias e sucesso na caminhada.

    Até logo!

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