RECORTES LITERÁRIOS: EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO

Marcel Proust (1871-1922)

Mas calculou que aquela existência já durava há vários anos, que tudo o que podia esperar era que ela durasse sempre, que ele sacrificaria seus trabalhos, seus prazeres, seus amigos, e finalmente toda a sua vida à espera cotidiana de um encontro que nada podia lhe trazer de felicidade, e indagou a si mesmo se não se enganava, se o que havia favorecido sua ligação e impedira a ruptura por acaso não prestava um desserviço ao seu destino, se o acontecimento desejável não teria sido aquele que ele tanto se regozijara haver ocorrido apenas em sonho: a sua partida; disse consigo que ninguém conhece sua felicidade, que nunca se é tão infeliz como se pensa.

PROUST, 2004, p.279
Um amor de Swann
NO CAMINHO DE SWANN
Em busca do tempo perdido

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