RECORTES LITERÁRIOS: EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO

Marcel Proust (1871-1922)

E ela fora tantas vezes testemunha de suas alegrias! É verdade que também muitas vezes o havia advertido da fragilidade dessas alegrias. E embora naquele tempo ele adivinhasse o sofrimento no sorriso, na sua entonação límpida e desencantada, hoje achava-lhe antes a graça de uma resignação quase alegre. Desses desgostos de que ela falava antigamente e que ele a via arrastar sorrindo em sua trajetória sinuosa e veloz, sem ser atingida por elas, desses desgostos que agora se haviam tornado os seus, sem que tivesse a esperança de jamais se livrar deles, ele parecia lhe dizer como outra de felicidade: "Que é isto? Tudo isto não é nada."

PROUST, 2004, p.275
Um amor de Swann
NO CAMINHO DE SWANN
Em busca do tempo perdido

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