RECORTES LITERÁRIOS: EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO

Marcel Proust (1871-1922)
Os processos de narração destinados a excitar a minha curiosidade ou o enternecimento, certas maneiras de dizer que despertam a inquietude e a melancolia, e que o leitor de pouca instrução reconhece como comuns a muitos romances, pareciam-se simplesmente — a mim, que considerava um livro novo não uma coisa que tivesse muitos semelhantes, mas uma personalidade única, que só em si possuísse motivos de existência — uma emanação perturbadora da essência própria de François le Champi. Por sob esses acontecimentos tão corriqueiros, essas coisas tão comuns, eu sentia uma como que entonação, uma acentuação estranha. A ação se desenrolou; e me pareceu tanto mais obscura, visto que, naquele tempo, quando eu lia, devaneava muitas vezes, durante páginas inteiras, com o pensamento perdido em outra coisa.

PROUST, 2004, p.49

Combray
NO CAMINHO DE SWANN
(Em busca do tempo perdido)

Comentários