CARTA A UM AMANTE DESCONHECIDO

Perdoe-me meu desaventurado amante por esse silêncio longínquo. Silenciei-me por sofrer em silêncio. Num silêncio triste e penetrante. Numa penetração que nunca me foi alcançada. Nesse alcance que nunca tive acesso. No acesso ao verdadeiro gozo. No gozo do sexo. Tenho uma confissão: eu nunca gozei no sexo. Tive vários amantes mas nunca senti o verdadeiro gozo. Sou uma libertina que nunca sentiu o tesão do êxtase gritar e explodir os meus sentidos. 

Eu escrevo essa carta a você, meu querido amante, na esperança de que seja o homem que irá me despertar. Se eu o tiver somente por uma noite e com o seu toque, a sua virilidade, a sua força me fazer sentir viva durante minutos infinitos eu serei eternamente feliz pois morrerei sabendo que senti o verdadeiro orgasmo. 


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Há um tempo tive um momento muito intenso com um homem, o toque dele despertou algo oculto dentro de mim; agora o desejo de revê-lo, a ansiedade de sentir o orgasmo no sexo, de silenciar todos os meus desejos que me tormentam. Meu amante, não se sinta traído por esse homem, você agora conhece a minha natureza libertina, ele não é o único que eu tenho me envolvido nos últimos tempos, vivo muito intensamente e tive vários amantes que passaram, poucos os que ficam, muitos os que se vão sem se despedir. 


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Sou uma mulher priosineira dos prazeres, tenho vários amantes e ao mesmo tempo não pertenço a ninguém, duvido se algum dia irei pertencer a alguém. Eu desisti do amor, você é alguém que pode nem existir. Corro o risco de escrever essas cartas para alguém que nunca existiu. Os meus dias são condenados à eterna solidão do silêncio. O silêncio de um sentimento que poderá nunca bater em meu coração: o amor.


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Esse homem que com o seu toque despertou um sentimento oculto, o desejo adormecido por uma forte atração física, talvez nunca mais o veja e esse desejo aos poucos poderá se extinguir sem ao menos eu saber como teria sido o sexo penetrado e gozado com ele. Sei que ele não é o único homem que existe, mas no momento é o único que me sinto fortemente atraída pelo sexo, nesse meio tempo que o espero tive outros amantes mas nenhum causou o meu despertar. Como eu disse anteriormente, tive vários amantes e nunca gozei. E anseio muito em sentir o verdadeiro gozo no sexo. Ignoro se reencontrarei o homem que me despertou, só sei que no momento ele é um cavaleiro que esteve por passagem na minha vida e poderá nunca retornar ficando somente na lembrança e saudade o momento que tive com ele...


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Enquanto a você, meu amante desconhecido, ainda permanece um mistério, um enigma indecifrável que nem Sherlock Holmes decifrará, um fantasma e homem invisivel que nunca existiu, alguém que sempre vou estar esperando mas que nunca aparecerá, permancerá escondido eternamente nas sombras e nunca revelará a sua verdadeira face. Eu sou uma libertina condenada a ter vários amantes mas nunca a pertencer a um homem ou amar alguém de verdade. Fui banida do amor. Cegada fui a viver na ilusão do nada e do nunca. A nada sentir no sexo e a nunca amar ou ser amada...



MADAME K.

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