CARTA A UM AMANTE DESCONHECIDO

Começo a duvidar de sua existência. Creio que nunca amarei ou serei amada um dia. Anseio por um amor que seja eterno enquanto dure. Talvez o amor nem exista e seja só uma invenção dos românticos e poetas. Ou será que aos poetas não possuem o direito de amar e serem amados? 

Anseio por viver momentos excitantes na minha vida, quero sentir o verdadeiro gozo do sexo que nunca senti, quero me sentir viva após uma longa penetração. Eu quero viver e sentir que estou viva. Já tive minhas aventuras amorosas, muitas inesquecíveis; nessa saciedade interminável eu desejo mais, meu corpo pede mais, quero sentir a verdadeira paixão do corpo e da alma após um longo despertar.

Penso no fato de estar sozinha será que há algo de errado comigo? Sei que sou ansiosa e controladora, pois é de minha natureza manter o controle da situação, e será isso um erro que me afasta dos outros? 

Não desejo namorar ainda, meu coração ainda está ferido e tenho medo de sofrer por amor; se aparecer alguém que me desperte eu aceito entrar num relacionamento. Parece ser clichê mulher solteira que ainda não chegou aos 30 anos dizer que primeiro quer pensar na carreira e depois no amor, sou totalmente favorável a essa ideia, porém, desejo pertencer a alguém nem que seja por longos e intermináveis segundos...

Sabe, essa carta é direcionada a um amante desconhecido, contudo, pode ser direcionada a priori e a a posteriori, ou seja, aos anteriores e aos que virão. Sempre soube que antes de pertencer de corpo e alma a um só homem eu seria de vários amantes. Então, escrevo essa carta não só para o amor da minha vida mas também para o amor momentâneo, passageiro mas que nunca será esquecido.

No momento quero sentir viva a chama da paixão do calor entre os corpos, ficar extasiada antes de consumado o sexo, gozar de verdade e me sentir completamente viva após uma deliciosa noite de sexo. Talvez o destino nos reservou uma só noite, mas que seja eterno enquanto dure esse momento...

MADAME K.

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