CARTA A UM AMANTE DESCONHECIDO

Não sei se você existe ou se ainda irá aparecer na minha vida. Pobre  de mim! Que adianta a beleza e inteligência se vivo sozinha sentindo a falta de alguém? Desisto do amor. Renuncio a todas as minhas tentativas. Procuro alguém há dez anos e não o encontro, logo terei 24 e continuarei sozinha, sem ninguém para amar.

Hoje fui ao café ler Madame Bovary, de Flaubert, as vezes me sinto que nem ela, não satisfeita com a vida, sem controle com a grana e endividada, descontente no casamento e com o amante, egoísta que só pensa em si. Mas eu não sou assim, ou pelo menos não sou mais. Estou totalmente aberta para o amor e novas experiências na vida. Quero viver e anseio por inúmeras aventuras.

Sou romântica. Será que o romantismo ainda existe hoje em dia? Sempre ansiei por alguém me convidar a sair, me levar a um teatro e depois num jantar, me dar rosas ou chocolate, cortejar-me, dizer-me elogios à minha pessoa, querer beijar minha mão antes de meus lábios, rolar aquele clímax antes do primeiro beijo, as trocas de olhares, o suspense longo... 

Cansei de me entregar aos prazeres. Entrego-me aos prazeres dos livros, gozarei com as leituras, viverei um amor imaginário antes de viver um verdadeiro. O amor existe realmente ou será fruto da minha imaginação? Se existe porque ainda continuo sozinha? 

Meu querido amante, seja quem você for, não vou mais te procurar, todas as minhas tentativas para te encontrar foram vãs. Te esperarei aparecer na minha vida na companhia dos autores que gosto, eles nunca me abandonam e não me deixam sozinha. Quando você aparecer na minha vida renunciarei a todos os meus amantes e serei somente sua.

MADAME K.

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